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PM agride estudantes que acompanhavam CPI da Merenda em São Paulo

Sessão desta quarta-feira (14) contou com o depoimento de Fernando Capez (PSDB), acusado de ser beneficiário do esquema

São Paulo (SP) |
Estudantes sendo atacados pela PM nesta quarta (14)
Estudantes sendo atacados pela PM nesta quarta (14) - Pedro Lopes/Mídia Ninja

Estudantes foram impedidos de acompanhar a sessão da CPI da Merenda e foram agredidos pela Polícia Militar de São Paulo, que usou spray de pimenta para dispersar os secundaristas.

Esta etapa da CPI contou com o depoimento do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) Fernando Capez (PSDB), peça central na investigação, nesta terça-feira (14). Ele é acusado de ser beneficiário do esquema de desvio de recursos em contratos da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) com o governo Geraldo Alckmin (PSDB) e prefeituras paulistas para compra de suco de laranja da merenda escolar.

Entre as vítimas da repressão policial está um grupo de estudantes ligados à União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), que estavam acampados em frente à Alesp desde a noite desta terça-feira(13).

Segundo o coletivo de comunicação Mídia Ninja, dois secundaristas foram detidos e muitas pessoas ficaram feridas. Durante a ação, a PM teria usado gás de pimenta, e dois agentes teriam ficado feridos. Um suposto agressor foi encaminhado ao 36º Distrito Policial.

Após o ocorrido, deputados da bancada do PT abandonaram a sessão. O deputado Alencar Santana, representante do partido, afirmou que não era possível levar aquela reunião adiante enquanto o clima seguisse “pesado” e não fosse permitido que todos entrassem no plenário, já que até o deputado Zico Prado (PT) estava sendo impedido de entrar na sala.

Reestabelecida a ordem, a bancada petista voltou ao plenário Paulo Kobashi.

Sessão

Durante a sessão, na tarde desta terça-feira, Jéter Rodrigues, ex-assessor do de Capez, afirmou que havia uma “rubrica comum” entre os assessores para assinar ofícios e documentos do deputado.

Rodrigues afirmou que havia repassado um cheque de R$ 50 mil a José Merivaldo, outro assessor do parlamentar, em nome de Capez. O fato foi duramente criticado pelo deputado Alencar Santana (PT), que disse: “No meu gabinete, vocês nunca verão isso acontecer”.

Voz de prisão

Durante sua fala, Rodrigues entrou em contradição em diversos momentos, como retratou a deputada Márcia Lia (PT), que provou com documentos que o ex-assessor havia mentido durante sua fala.

Ele aparece como intermediário nos contratos entre a Coaf de Bebedouro e o governo estadual na compra de produtos alimentícios, o que é crime. Apesar disso, ele nega que recebeu qualquer valor no contrato.

Ao ser questionado sobre ser proprietário da Empreiteira Freitas Ltda, o ex-assessor negou qualquer ligação a empresa. No entanto, Márcia apresentou uma cópia do registro da sociedade com Manoel Valdir de Freitas na junta comercial, que detém 98% das ações da empresa.

“Para ser registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo, o senhor Jéter precisaria ter assinado esse documento, não é possível fraudá-lo. Ele claramente mentiu sobre essa informação em juízo”, declarou a deputada Márcia Lia.

O deputado Barros Munhoz (PSDB) chegou a apresentar um pedido de prisão do depoente, mas o presidente da CPI da Merenda, deputado Marcos Zerbini (PSDB) negou, alegando que tal ato não ajudaria no avanço das investigações.

*Com informações da Mídia Ninja e da Rede Brasil Atual

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