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LUTA

Sem fronteiras: feministas viajam à Bolívia em solidariedade após golpe no país

Delegação composta por 35 integrantes participa das atividades do 8 de março e denuncia crimes do governo interino

Double | São Paulo (SP) |
Delegação feminista durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda (09) - Marcha notícias

Uma delegação internacional composta por 35 militantes feministas argentinas viajou à Bolívia para participar das atividades do 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres.

A iniciativa foi construída de forma plurinacional, junto com 30 feministas bolivianas e tem como objetivo denunciar internacionalmente as violações de direitos humanos cometidas após o golpe de Estado que destituiu o presidente então recém-eleito Evo Morales e prestar solidariedade às mulheres e ao povo boliviano em geral, afetados pelo avanço da direita no país.

Durante a estadia na Bolívia, as integrantes da caravana realizam atividades e entrevistas em prisões e hospitais, e também nas casas dos bolivianos e bolivianas, para denunciar as “violações de direitos humanos e os crimes de Estado" cometidos desde novembro, após a consumação do golpe.

Em uma coletiva de imprensa realizada nesta segunda pela manhã, as integrantes da delegação anunciaram que exigirão que os organismos de justiça internacionais intervenham no país para esclarecer os massacres de Sacaba e Senkata, ocorridos em novembro de 2019 por uso excessivo de força policial, causando a morte de 36 pessoas e dezenas de feridos.

Durante o evento, elas também denunciaram que o golpe na Bolívia tem um componente patriarcal.

“Existe intimidação, violação, violência racista e sexual. A maioria das mulheres violentadas são mulheres indígenas, há denúncias que relatam cortes de tranças e ameaças constantes contra a população indígena, camponesa e trabalhadora. Foi um golpe de Estado racista, patriarcal e fascista”, afirmaram.

Além disso, as militantes participam também de uma série de eventos públicos como o ato do Dia Internacional de Luta das Mulheres realizado nesta segunda-feira (9), quando centenas de mulheres marcharam da cidade de El Alto à capital do país, La Paz.

Durante a manifestação, as feministas denunciaram as ações do governo interino do país, representado por Jeanine Añez, uma das articuladores do golpe, e exigiram respeito aos símbolos dos povos tradicionais como a bandeira wiphala.

No protesto realizado nesta tarde, as manifestantes fizeram ecoar gritos como “Ao colonialismo não voltamos nunca mais!”. Além disso, exibiram cartazes com dizeres contra a presidenta interina e o projeto conservador representado por ela, como "Añez machista, você não é feminista" e "O feminismo será antirracista ou não será".

Confira abaixo as fotos da manifestação.

Edição: Luiza Mançano


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