Double

Crise política

Secretário da equipe de Mandetta, Wanderson de Oliveira pede demissão

Médico era responsável pela Secretaria de Vigilância em Saúde e defensor do isolamento social no combate ao coronavírus

Double | São Paulo (SP) |

Ouça o áudio:

Wanderson de Oliveira
Wanderson de Oliveira atuava no Ministério da Saúde há 15 anos - Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

O Ministério da Saúde confirmou o pedido de demissão do secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira. Ele deixa a pasta em meio a polêmicas entre o ministro Luiz Henrique Mandetta e Jair Bolsonaro (sem partido). Wanderson era um dos principais atores nas políticas de combate ao coronavírus e, assim como o ministro, defendia o isolamento social como forma de combate à pandemia. A medida vem sendo criticada por Bolsonaro em diversas ocasiões, contrariando recomendações das principais autoridades em saúde do mundo. A saída de Wanderson sinaliza para uma possível demissão também do ministro. 

Continua após publicidade

::Mandetta diz que vai faltar equipamento se não houver reforço no isolamento social::

Desde janeiro de 2019, o agora ex-secretário era responsável por ações de vigilância, prevenção e controle de doenças transmissíveis, pela vigilância de fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, saúde ambiental e do trabalhador e também pela análise de situação de saúde de toda a população brasileira.

Doutor em epidemiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ele atua no Ministério da Saúde há quinze anos. Coordenou a resposta nacional à pandemia de influenza e à síndrome da zika congênita. Cedido para a Fiocruz desde 2017, Wanderson desenvolveu ações de pesquisa e gestão no Centro de Integração de Dados e Conhecimento para a Saúde e foi coordenador e docente do Núcleo de Epidemiologia e Vigilância em Saúde.

::Bolsonaro, Trump e o coronavírus: precisa-se de presidentes::

Com perfil técnico, o médico tem especialização pelo programa de treinamento em epidemiologia aplicada ao SUS e pelo centro de controle e prevenção de doenças da Georgia, nos Estados Unidos. Também passou pela escola estadunidense de saúde pública Johns Hopkins, que hoje monitora oficialmente e em tempo real a pandemia do coronavírus no mundo. 

Artigo | Fortalecer o SUS: uma tarefa nacional

Números oficiais e subnotificação 

De acordo com os números mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde, o Brasil registrou pela primeira vez mais de 200 mortes por causa do coronavírus em 24 horas. Segundo os dados desta terça-feira (14), 204 pacientes infectados morreram em um dia. A soma dos óbitos, desde que o vírus chegou ao Brasil, já chega a 1.532. A taxa de letalidade da doença também subiu e está em 6,1%.

Por causa da falta de testes, os dados oficiais podem estar muito distantes da realidade. Segundo nota divulgada pelo portal Covid – 19 Brasil o número de pessoas infectadas pode ser 15 vezes maior no país. A análise indica que as subnotificações estão acima de 90% e que mais de 300 mil brasileiros podem ter o vírus.

::Subnotificação: Brasil pode ter mais de 300 mil infectados pelo coronavírus::

Entre as 15 nações que mais apresentam casos de coronavírus no mundo, o Brasil ocupa hoje a 14ª posição. Se as projeções da pesquisa estiverem certas, no entanto, o país passa a ser o segundo com mais infectados, atrás apenas dos Estados Unidos. Atualmente são testados apenas os casos com sintomas graves, os que evoluem para óbito e suspeitas entre profissionais da saúde.

O número oficial de casos da covid-19 atualmente é de 25.262. Entre segunda e terça foram mais de mil e 800 novos casos, um crescimento de 8%. São Paulo segue como o estado que mais registra pessoas infectadas, com mais de nove mil e 300 pacientes. 

Edição: Rodrigo Chagas


Double Mapa do site

1234