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Portas fechadas

Explicação de ministro sobre dossiê de vigilância não foi satisfatória, diz senador

Em reunião fechada, André Mendonça tentou explicar relatório do ministério da Justiça com dados de quase 600 servidores

Double | São Paulo (SP) |
bolsonaro e andré mendonça
O ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça (esq.), teve de responder a questionamentos de 12 parlamentares sobre o dossiê sigiloso - Isaac Amorim/MJSP

Não foram satisfatórias as respostas do ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, às perguntas de deputados e senadores da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, sobre o dossiê de monitoramento sigiloso de 579 servidores federais e estaduais de segurança. É o que afirma o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da oposição na Casa. A reunião ocorreu por videoconferência, na tarde desta sexta-feira (7), e foi fechada ao público e à imprensa.

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"Estou mais do que convencido de que o governo atuou indevidamente com prática de espionagem política em relação a opositores do governo", avalia Rodrigues, um dos 12 parlamentares que participam da comissão e puderam interpelar o ministro sobre o documento com informações de servidores identificados como “movimento antifascista”, e de professores universitários, por serem críticos do governo Bolsonaro. 

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De acordo com Rodrigues, um grupo de senadores da oposição vai protocolar um requerimento para que a comissão abra uma investigação sobre a conduta do ministério e da Secretaria de Operações Integradas (Seopi), responsável pelo monitoramento. Além disso, o grupo também vai reiterar o pedido para que André Mendonça seja convocado oficialmente pelo Senado e responda a perguntas do plenário em uma sessão aberta ao público.

No início da semana, a Rede de Sustentabilidade ajuizou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 722), pedindo abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar o dossiê, que "teria como única finalidade aniquilar vozes dissidentes, viola a liberdade de expressão".

O partido pede ainda a suspensão imediata da produção e da disseminação de informações de inteligência sobre o grupo de servidores, o envio dos conteúdos já produzidos pelo Ministério ao STF e a responsabilização pessoal do ministro da Justiça e de seus subordinados envolvidos na vigilância. A relatora sorteada foi a ministra Cármen Lúcia.

Edição: Rodrigo Chagas


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