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Após 3 meses

Liberados pela Justiça, tripulantes de avião bloqueado na Argentina chegam à Venezuela

Aeronave venezuelana e outros sete membros da tripulação seguem retidos no aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires

Caracas (Venezuela) |
Tripulação foi recebida por familiares em Caracas - Reprodução/Viceministro de Cancilleria

Retidos na Argentina durante os últimos três meses por conta do bloqueio de um avião venezuelano em Buenos Aires, 11 tripulantes do Boeing 747 que pertence à Emtrasur, filial da companhia aérea estatal da Venezuela, chegaram nesta sexta-feira (16) em Caracas.

O retorno acontece após a Câmara Federal de Apelações de La Plata suspender a proibição para deixar o país que pesava sobre 11 venezuelanos e um iraniano que integravam a tripulação.

No Aeroporto Internacional Simón Bolívar, eles foram recebidos por familiares e pelo ministro dos Transportes venezuelano, Ramón Velazquez, que destacou que o governo agora espera o retorno dos outros sete tripulantes que seguem retidos em território argentino.

Ao desembarcar, um dos pilotos do avião bloqueado afirmou que o regresso da tripulação "mostra nossa inocência" e que "muito foi dito sobre nós, mas a única coisa que não falaram foi a verdade, que somos pilotos, cidadãos de bem".

O avião de carga que pertence à empresa estatal venezuelana Emtrasur está retido no aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, desde o dia 8 de junho. 

Obloqueio da aeronave, que trazia autopeças para uma fábrica na Argentina, resultou de um pedido feito por autoridades dos EUA, que alegaram que Caracas teria "driblado sanções" ao comprar o avião da companhia iraniana Mahan Air, já que ambas as empresas estão sancionadas por Washington.

Além disso, alguns tripulantes foram acusados de possuir ligações com o atentado ao prédio da AMIA que ocorreu em Buenos Aires, em 1994, e deixou 85 pessoas mortas. Um dos pilotos iranianos também foi acusado de fazer parte do conselho de uma empresa de aviação de cargas que prestaria serviço às Forças Quds, divisão especial da Guarda Revolucionária do Irã, um setor das Forças Armadas iranianas que é considerado unilateralmente por Washington como uma "organização terrorista".

A Justiça portenha, por sua vez, não encontrou nenhuma irregularidade na aeronave e na tripulação até o momento e justifica a retenção do avião por conta de um tratado de cooperação judicial firmado com os norte-americanos em 1991.

Desde então, os 19 tripulantes - 14 venezuelanos e cinco iranianos - estavam com passaportes retidos e impedidos de deixar o país.

Ao liberar a saída de 12 membros da tripulação na última terça-feira (13), a Câmara de Apelações afirmou que "nem a República Bolivariana da Venezuela e nem a República Islâmica do Irã são partes da investigação". Além disso, determinou que o tribunal de Lomas de Zamora, onde o caso é tramitado, teria dez dias para tomar sobre as restrições impostas "contra as pessoas e as coisas".

"A continuação do trâmite desta causa, tal como se encontra documentada, não pode continuar sem um limite temporal claro e assim também o solicita o próprio Ministério Público", informou.

Edição: Thalita Pires


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