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MASSACRE SEM FIM

Líderes da Resistência Palestina exigem fim imediato do ‘genocídio sionista’ em Gaza

Frente Única defende a cessação integral da agressão israelense e formação de um governo de unidade nacional

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Ataque israelense sobre Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em 20 de dezembro de 2023 - Said Khatib / AFP

São quase três meses desde que Israel intensificou seus ataques fatais contra o território palestino, resultando na morte de mais de 21 mil civis na região. Enquanto as autoridades de Tel Aviv insistem em continuar hostilizando toda a Gaza, incluindo a Cisjordânia ocupada e Jerusalém Oriental, a liderança da Frente Única se viu na urgência de marcar um encontro nesta quinta-feira (28/12), em Beirute, e declarar, por meio de um comunicado, as pautas abordadas na reunião.

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A discussão que envolveu cinco organismos da resistência palestina — Hamas, movimento da Jihad Islâmica, Frente Democrática para a Libertação da Palestina, Frente Popular para a Libertação da Palestina e Comando Geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina — enfatizou a necessidade de uma luta que impeça a ocupação e o massacre sionista antes da troca de prisioneiros em uma possível trégua humanitária.

A declaração final que foi divulgada após a reunião consultiva entre os representantes da resistência palestina foi recebida pelo portal Palestinian Chronicle.

O documento contextualiza que o objetivo final de Israel, por meio de seus ataques brutais, é promover o deslocamento massivo de palestinos e “acabar com a causa nacional palestina”, liquidando os direitos legítimos do povo como “a determinação do destino, no estabelecimento da Estado palestino independente com Al-Quds (Jerusalém Oriental) como capital, e garantindo o direito de retorno dos refugiados do nosso povo às suas casas e propriedades, de acordo com a Resolução 194.”

A Frente Única também elogiou a “firmeza heróica” do povo palestino ao afirmar êxito em conseguir “frustrar os objetivos do inimigo, demonstrando a sua incompetência e a fragilidade das suas forças no terreno”. Nesse contexto, os participantes enfatizaram suas tarefas de luta “até que a guerra brutal e agressão contra o nosso povo sejam repelidas”, começando pela cessação imediata do massacre e da limpeza étnica em Gaza.

Demandas da Frente Única

A liderança dos grupos da resistência destacou seus objetivos prioritários na guerra:

  • Cessação imediata do genocídio, da política de terra arrasada e da limpeza étnica na Faixa de Gaza.
  • Quebrar o cerco, começando pelo fornecimento de todos os recursos básicos ao povo palestino e, simultaneamente, a reparação de todas instalações destruídas pelo exército israelense. Isto incluiria o fornecimento de todos suprimentos necessários para reativar e apoiar o sistema médico, que está colapsado pelas contínuas agressões israelenses, transferindo também todos os feridos no território para tratamento em países parceiros do exterior.
  • Lançamento de uma iniciativa internacional para reconstruir todo o patrimônio social de Gaza destruído pelas forças israelenses, por meio de um acordo conjunto com as autoridades árabe, islâmica e internacional, além de países parceiros e organizações internacionais e regionais, como a Liga Árabe, a Organização de Cooperação Islâmica e as Nações Unidas.

 

De acordo com o comunicado, a Frente Única também condenou o Ocidente e entidades políticas pró-israelenses que pregam soluções e cenários parciais para o chamado “o futuro da Faixa de Gaza”, além de reafirmar a importância da unidade dos palestinos.

“A causa palestina é a causa de toda a Palestina, terra, povo, direitos, futuro e destino. A solução para a causa só pode ser alcançada através do abandono da ocupação e de todas as formas de assentamentos, abrindo caminho para que o nosso povo determine o seu destino nacional nas suas terras.”

Unidade estratégica

Os grupos também sugeriram a reparação da divisão entre os vários movimentos palestinos existentes no território e o fim de todas as questões políticas pendentes para garantir uma “luta estratégica unificada” que reintroduza “a nossa causa como nação nacional”.

  • Apelo a “uma reunião nacional abrangente que inclua todas as partes, sem exceção, para implementar o que foi acordado em diálogos palestinos anteriores e para enfrentar as consequências da guerra brutal contra o nosso povo na Faixa de Gaza e os ataques bárbaros de gangues de colonos (judeus israelenses) e forças de ocupação, e projetos de assentamento e anexação na Cisjordânia, especialmente em Al-Quds”.
  • Uma solução nacional palestina baseada na formação de um governo de unidade nacional que forme um consenso nacional abrangente, incluindo todas as partes responsáveis por unificar as instituições nacionais nas terras ocupadas na Cisjordânia e na Faixa.
  • Com base no princípio do “todos por todos”, destaque na “necessidade de um cessar-fogo e da cessação permanente de todos os atos de agressão e da retirada completa da ocupação na Faixa de Gaza como condição para discutir a troca de prisioneiros”.
  • Apelo ao “desenvolvimento do sistema político palestino sobre bases democráticas, por meio de eleições gerais – presidenciais, legislativas e do conselho nacional – condizentes com um sistema de representação proporcional completo, em eleições livres, justas, transparentes e democráticas”.

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