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Assassinato

De saída do Ministério da Justiça, Dino diz que 'não existe crime insolúvel' e que caso Marielle será concluído

Ministro defendeu profissionalismo da Polícia Federal para resolver o crime ocorrido em 2018

Double | Brasília (DF) |

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Depois de mais de cinco anos, ainda não se sabe quem foram os mandantes dos homicídios de Marielle e Anderson - Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

Em seu último discurso como ministro da Justiça e Segurança Pública, nesta quarta-feira, (31), Flávio Dino (PSB) falou sobre a investigação do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes. Dino afirmou que "não existe crime insolúvel, e sim mal investigado" e que a apuração deve ser concluída.

"Houve avanços já divulgados e a única coisa que eu posso afirmar, não por conhecimento, mas por experiência, é que esses passos resultarão na conclusão da investigação. Agora, em que termos, cabe aos delegados que presidem o inquérito e ao Ministério Público, que hoje atua muito fortemente", afirmou Dino ao ser questionado sobre a delação premiada do ex-PM acusado de matar a parlamentar, Ronnie Lessa com a Polícia Federal. 

Para o ministro, a Polícia Federal tem todas as condições de investigar o crime ocorrido em 2018 e que não teve o mandante identificado pela polícia do Rio. "Não existe crime insolúvel, existe crime mal investigado. Esta parece uma frase hollywoodiana, de Netflix. Não é. É a experiência de 30 anos que eu tenho na área. Quando o crime é bem investigado, o resultado aparece", disse.

O ex-PM Ronnie Lessa fechou um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal. Em seu depoimento, ele teria mencionado o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio Domingos Brazão como mandante do assassinato da vereadora, segundo o portal Intercept Brasil. A expectativa é de que o acordo, que está sob sigilo, seja analisado pelo Superior Tribunal de Justiça a partir de fevereiro, com o fim do recesso no Judiciário.

Combate à corrupção

O ministro ainda aproveitou o balanço de sua gestão à frente da pasta para criticar a espetacularização de ações de combate à corrupção que ocorreram no passado. Ao lado do presidente Lula, ele afirmou que "quem usa o combate à corrupção como bandeira política é tão corrupto quanto o corrupto" e refutou as alegações da oposição de que a investigação sobre a Abin paralela teria motivação política.

"A Polícia Federal continua firmemente todos os dias combatendo a corrupção. O que mudou é que nós pusemos fim à política de espetacularização do combate à corrupção, que é uma forma de corrupção. Quem usa o combate à corrupção como bandeira política é tão corrupto quanto o corrupto. E é essa a mudança da espetacularização que nós fizemos, mas as operações aí estão", disse Dino.

De acordo com o Ministério da Justiça, em 2023, a Polícia Federal (PF) deflagrou 227 operações com foco no combate à corrupção que levaram à 147 prisões e 2.091 mandados de busca e apreensão cumpridos, além de R$ 897 milhões em bens e valores apreendidos.

Já em relação às investigações sobre a existência de uma "Abin paralela" durante o governo Bolsonaro, que atingiram recentemente o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) e o vereador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), Dino refutou as alegações da oposição de que haveria motivação política.

"Sobre a Abin, os indícios e denúncias surgiram agora, ontem, anteontem? Não, os senhores e as senhoras publicaram há três anos. O que a PF vai fazer? Vai fingir que não viu?", disse o ministro, afirmando que nunca esteve com o delegado responsável pelo inquérito e ressaltou o profissionalismo da Polícia Federal. "Eu tenho realmente repulsa a essa ideia de uso político das polícias, e isso não aconteceu."

Dino deixa o Ministério da Justiça para assumir uma cadeira de ministro do Supremo Tribunal Federal no próximo dia 22 de fevereiro. Antes de assumir no STF, porém, ele voltará ao cargo de senador pelo Maranhão, para o qual foi eleito em 2022.

Edição: Nicolau Soares


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