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O relator do caso no STF é o ministro Alexandre de Moraes - José Cruz/Agência Brasil
A decisão de Alexandre de Moraes é um documento histórico

Olá, Bolsonaro e os militares conhecem a hora da verdade, abrindo caminho para o governo correr livre pelo centro.

 

.Vai ficar de perna bamba. Mais do que uma peça jurídica, a decisão do ministro Alexandre Moraes, atendendo aos pedidos da PGR e da PF para desencadear a Operação Tempus Veritatis, é um documento histórico. Até o momento, é a descrição mais detalhada dos planos golpistas em curso desde, pelo menos, julho de 2022. No que dependesse do General Augusto Heleno, o golpe teria acontecido antes das eleições. Mais tarde, o golpe é pensado para antes da diplomação de Lula e, finalmente, no 8 de janeiro. A delação de Mauro Cid, coroada com um vídeo de umas das reuniões conspiratórias, revela que os golpistas se dividiram em seis núcleos e objetivos: desinformação e ataque ao sistema eleitoral, incitamento dos militares a aderirem ao golpe, a base jurídica, o núcleo operacional, a inteligência paralela e o núcleo militar que incendiaria as tropas. Aliás, não faltam digitais verde-olivas, incluindo a utilização de uma força especial paralela. Olhando para frente, é possível especular que a operação é um sinal de que as inúmeras investigações abertas estão próximas de um desfecho. O julgamento dos peixes-pequenos do 8 de janeiro também está acabando, o que dará tempo e disposição para o STF fazer barba, cabelo e bigode. Por isso, é muito provável que novas prisões ocorram antes do final do semestre. Quanto aos militares, é provável que permaneçam em silêncio por algum tempo. Constrangidos pelo excesso de provas contra Heleno, Braga Netto e o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio, as forças devem voltar ao tradicional modo de conspiração nas sombras. Ainda é cedo para mensurar o impacto das novas revelações nas eleições municipais. A novidade talvez seja o PL, maior partido na Câmara, já que o seu envolvimento no financiamento da aventura golpista, somado à prisão de Valdemar da Costa Neto, podem implodir a sua participação no pleito.

 

.Calma, Calabreso! A semana também começou tensa na Câmara, com Arthur Lira tocando fogo no parquinho. Sabendo que o calendário legislativo será curto devido às eleições municipais, a jogada do presidente da Casa foi elevar o tom e se autopromover lembrando que o sucesso do governo no ano passado dependeu dele. Além da análise do veto de Lula ao orçamento, outras questões importantes passarão pela Câmara ainda este ano, da regulamentação da reforma tributária ao Plano Nacional da Educação (2024-2034), mas nada com o mesmo impacto das votações de 2023. O  piti de Lira também foi uma demonstração de poder endereçada aos ansiosos colegas que pretendem sucedê-lo em fevereiro de 2025. E a corrida já começou. É claro que o sonho do cacique alagoano é preservar seu poder o máximo que puder, colhendo os frutos das eleições municipais bem antes de entregar o cargo a um sucessor de sua preferência. E para isso, nada melhor que lembrar que a fonte da prosperidade é o próprio presidente da Câmara, distribuindo cargos valiosos, como as doze vice-presidências da Caixa. Porém, o tiro de Lira pode ter saído pela culatra. Ao tentar ganhar no grito ao invés de apostar no tradicional toma-lá-dá-cá de bastidores, Lira acabou expondo demais os interesses baixos da Câmara, o que gerou insatisfação nos jornalões e nenhuma solidariedade do mercado financeiro. Além disso, em ano eleitoral, ninguém briga com um governo que tem a chave do cofre e que pode inaugurar ou criar obras de interesses para prefeitos e candidatos. Neste caso, o governo não precisa da intermediação de Lira, mas ele sim precisa de trânsito no Planalto. Não é surpresa, portanto, que o PSB tenha deixado a base de Lira para negociar sua entrada no bloco da esquerda (PT, PCdoB e PV) e que deve ser seguido pelo PDT. Da parte do governo, Lula tratou o caso com a serenidade de quem tem o cheque e sabe que Lira errou o tom. Tanto que Lula inverteu o movimento do ano passado e voltou a procurar Rodrigo Pacheco no Senado para tratar dos temas de maior interesse do governo. Além disso, o presidente já mandou avisar que Lira nem sonhe com mais cargos em uma reforma ministerial. Mas, pelo sim ou pelo não, o governo liberou R$2 bilhões em emendas para os parlamentares curtirem o carnaval relaxados.

 

.Samba e caipirinha. São raros os momentos em que a conjunção de fatores se torna tão favorável. Com a Polícia Federal no encalço de seu adversário, Lula pode respirar aliviado nos próximos dias. Aliás, os sinais de que o barco de Bolsonaro já estava afundando vieram de seus próprios aliados, como Tarcísio de Freitas e Cláudio Castro, que agora são todos sorrisos nas fotos ao lado de Lula. Os ventos positivos chegaram também à economia, e até o carrancudo Campos Neto começou a esbanjar otimismo sobre o crescimento do Brasil este ano. Afinal, em janeiro a inflação ficou estabilizada, o superávit na balança comercial superou o do ano passado e um possível aumento da arrecadação pode aliviar as contas do governo e esvaziar a ladainha sobre o risco fiscal. Além disso, a indústria automobilística parece ter saído do marasmo. Por isso, entende-se porque o governo não precisa se preocupar com o chilique de Arthur Lira. Aliás, Haddad se sente tão confiante que se permite entrar numa queda de braços com o Congresso para acabar com o Perse, criado durante a pandemia para incentivar o setor de eventos, e ainda denunciar um possível esquema de lavagem de dinheiro que pode respingar em Lira. E, numa tacada só, o ministro da Fazenda dá um chega pra lá na Câmara e tenta acomodar interesses no Senado, voltando atrás na reoneração dos 17 setores econômicos que causaram protestos do empresariado. Mas, como nada é perfeito, mesmo ostentando uma melhora nos índices de popularidade, Lula ainda não encontrou o caminho para enfrentar os dois temas que causam maior descontentamento na opinião pública e que sempre podem ser explorados pela oposição: criminalidade e corrupção.

 

.Ponto Final: nossas recomendações.

 

.Dados: o Norte global quer um novo Potosí. O comércio de dados é o novo ouro que as Big Techs buscam controlar. No Outras Palavras.

 

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.10 ocasiões em que o agro tentou melar o combate à crise do clima, que agora o afeta. O Observatório do Clima denuncia a hipocrisia do Agronegócio.

 

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Ponto é editado por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

Edição: Rodrigo Durão Coelho


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